sábado, 3 de julho de 2010

A Quimera.

Desnorteados, e completamente perdido, nós três estávamos tentando entender como fomos parar na Floresta Mística, um lugar que devido ao tempo deveria ter desaparecido. Caio e Paola, se sentam ao chão, tentando pensar em uma maneira de sair dali, eu fiquei observando e lembrando das histórias gregas, dizendo que as Ninfas eram defensoras das Florestas, para matar alguém elas se transformavam em árvores e confundiam a pessoas, para que ela se perdesse e morresse de fome, desagradável não? Principalmente quando você está dentro dessa Floresta.

Ao meu raciocínio as Ninfas já sabiam que estávamos ali, parados no meio da floresta sem saber o que fazer, não era difícil fazer contato com uma Ninfa, o problema era tentar fazer com que ela confiasse em você. Mas naquele momento não tínhamos outra opção. Olhei para os lados e comecei a falar, não tão baixo, para que elas pudessem ouvir, e nem tão alto para acordar algo que realmente não quisesse ser acordado, e as palavras saíram:
- Ninfas, eu sei que podem me ouvir, quero a ajuda de vocês, temos que sair daqui fomos trazidos por alguém ou algo que não conhecemos, podem nos ajudar? – Caio olha para mim e diz:
- Está louco, nem sabemos se elas existem, fora que se elas existissem ninfas não são de confiança, mesmo que sejam conhecidas como Deusas das Árvores, são traidoras de primeira linha. – Paola levanta e fala:
- Acha mesmo que estávamos na Floresta Mística, e que elas podem nos ajudar?
- Não tenho certeza de ambas as coisas, mas por ler tanto sobre a Floresta, se estivesse dentro dela eu saberia, e essa floresta é exatamente como a  do livro, e outra como o Caio disse, acreditar numa Ninfa é como acreditar na mentira, mas elas podem ser nossa única chance de sair daqui.

Após algum tempo fiquei esperando, ansiosamente uma resposta delas, mas nada se foi ouvido, quando pensei em tentar novamente alguém aparece atrás de nós e fala:
- O que querem de nós mortais?

Assustados viramos para trás, e nos deparamos com uma Ninfa, não havia como evitar dizer que ela era linda, apesar de ser a primeira vez que vi uma Ninfa, ela era alta loira, com um pele reluzente, seus olhos azul safira, impressionavam qualquer um, eu então parei de olhar diretamente, e disse:
- Sei que você ouviu Ninfa, queremos sair daqui. – ela sorriu largamente e respondeu com gargalhadas:
- Estão de brincadeira, não é mesmo? É impossível sair daqui, todo esse lugar é protegido pelo poder de nosso pai... – e Paola completou
- Zeus! – a Ninfa olha atentamente para Paola chegando mais perto, senti seu cheiro e diz:
- Vocês não são meros mortais, tem algo em vocês que incomoda, qual o seu nome menina?- Paola olha para Ninfa e diz:
- Diga o seu primeiro, pois não quero ficar te chamando de Ninfa o tempo todo, além do mais você não é a única Ninfa nessa floresta, não é mesmo? – a Ninfa sorri para ela e responde:
- Bom como queira, aliás, é verdade que não sou a única aqui, todas essas árvores são Ninfas, meu nome é Viviane. – ao dizer seu nome Paola responde:
- O meu é Paola Gregori. – a Ninfa olha assustada para ela, depois virou para nós dois perguntando rapidamente:
- E o de vocês dois? – tentando ser o mais educado possível respondemos:
- O meu é Victor Torrent.
- O meu é Caio Dorin.

A Ninfa com a cara mais vermelha e assustada que já havia visto, curva – se diante de nós e diz:
- Bem vindo Filhos dos Três. – eu olhando estranhamente para ela, e lembrando que no momento em que Paola estava sendo “possuída” ela disse “Vocês três, filhos dos mais poderosos, estão condenados à morte!”, perguntei:
- Porque Filhos dos Três? – Viviane se levanta e diz:
- Sigam – me levarei vocês a pessoa que vai lhes explicar melhor.

Sem contestar Viviane, a seguimos passamos por diversas paisagens lindas, montanhas, riachos, rios e todos cheios de Ninfas, era tudo tão fabuloso que dava vontade de ficar por ali mesmo, porém as Ninfas são mentirosas dizem que te amam, e depois o traem, nesse momento nunca agradeci tanto o meu conhecimento de Mitologia Grega. Logo percebi que a caminhada estava demorando, mas antes mesmo que pudesse perguntar Viviane nos diz:
- Chegamos!

“Mas que estranho”, pensei, estávamos apenas parados em frente uma enorme rocha, que não tinha nenhuma abertura em lugar nenhum, mas Viviane deu dois toques na rocha e então uma forma retangular como a de uma porta se fez, e que incrível aquilo foi totalmente sensacional eu estava vendo um dos monstros mitológicos que eu mais adorava uma Quimera, estranhamente velha, mesmo que se passam muitos anos, as Quimeras não envelhecem, são imortais assim como as Ninfas. Sem contar que Quimeras não eram muito amigáveis, mas aquela era diferente ela nos cumprimentou e sorrindo, eu e Caio trocamos olhares sabendo que aquilo era estranho, mas mesmo não querendo entrar naquela caverna, nossa curiosidade era maior, queríamos saber o porque de nos conhecerem como “Filhos dos Três”.

Ao entrar imaginei que aquela caverna deveria estar cheia de coisas mortas e fedendo a carniça, mas pelo contrario, era um lugar cheiroso bem arrumado sem qualquer coisa que se parece morto ou cheio de sangue, então a Quimera nos pede para sentar, em um sofá, fofinho e cheiroso, eu estava começando a achar que aquela Quimera deveria ser uma “empregada doméstica”, droga esqueça esse pensamento, e fui obrigado a esquecer, pois a Quimera nos perguntou:
- Então vocês três são Paola Gregori, Victor Torrent e Caio Dorin? – olhamos e sinalizamos com a cabeça que sim, não tínhamos reação para dizer algo, qualquer coisa que fossemos poderia ser um pouco pejorativo a ela, mas então ela quebra nosso silêncio:
- Vocês têm medo de mim, certo? Não precisam se preocupar, eu sou uma antiga Quimera, traindo meu pai, perdi todos os meus poderes e agora sou uma mera “dona de casa”, então não se preocupem, podem falar o que quiser.

Nós nos entreolhamos e ficamos um pouco assustados com as palavras da Quimera, principalmente à parte de que ela traiu seu pai, mais conhecido como Tífon o Deus da Seca, filho de Tártaro e Gaia, era conhecido por ter seus filhos com Neméia, assim nascia as Quimeras, mas isso não vem ao caso agora, mas Tífon não era tão poderoso ao ponto de tirar o poder de uma Quimera.

Caio me olhou, e ele sempre curioso pergunta a Quimera, sem medo ou receio:
- Mas porque você traiu Tífon? – a Quimera o olhou e sorriu, mostrando todos os seus afiados dentes e diz:
- Vejo que vocês filhos deles, são muito inteligentes em questão de nossas histórias. Mas essa história é um pouco longa, depois explicarei a vocês, mas agora deixe me apresentar, já que vocês já são conhecidos por mim, meu nome é Rosi a Quimera.

Não muito surpreso com o nome dela, nos assentimos observa – lá, já que Rosi, não é um nome muito assustador, antes mesmo que pudesse concluir meu pensamento ela diz:
- Agora vou contar a vocês a verdadeira história, de seus nascimentos.

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